Soldar ferro fundido

O ferro fundido não é insoldável; exige outra ordem de trabalhos: cordões curtos, pouco calor e martelagem — ou o percurso completo com forno.

Uma fissura numa peça de ferro fundido com cordões curtos e espalhados e um gráfico de temperatura da peça: dentes de serra contra uma subida contínua
A ordem dos cordões não é arrumação — é a única coisa que mantém a peça fria e a única que impede uma fissura nova ao lado do cordão.

Onde está o problema

No carbono. É ele que torna o ferro fundido vazável e amortecedor, mas é ele que torna a zona afectada dura e frágil assim que arrefece depressa. Junta-se a isso o facto de o ferro fundido cinzento praticamente não ter alongamento: o que não se deforma, parte.

O caminho a frio

Eléctrodos de níquel ou de níquel-ferro, corrente baixa, cordões de 25 a 40 mm, martelar depois de cada cordão e deixar arrefecer até a mão aguentar a zona. O níquel é o metal de adição certo porque o seu depósito fica mole e absorve a contracção deformando-se, em vez de a passar ao metal de base.

Furar as extremidades da fissura antes, para ela não continuar a correr. Esmerilar bem os bordos — o ferro fundido está quase sempre embebido em óleo, e o óleo tem de sair por queima ou por esmeril, senão o cordão dá poros.

O caminho a quente

Pré-aquecer a 400 a 600 °C, soldar com adição do mesmo tipo do fundido e arrefecer lentamente no forno — ao longo de horas. Só este caminho dá uma junta que depois ainda se maquina. Exige, porém, um forno e uma peça que lá caiba, e por isso fica de fora na maior parte das reparações.

O que esperar

Uma reparação soldada a frio aguenta mecanicamente, mas não é maquinável: a zona afectada sai mais dura do que qualquer fresa. Onde for preciso furar ou roscar depois, soldar é a resposta errada — aí entram colas metálicas, aparafusamentos ou uma peça nova.

Perguntas frequentes

Porque é que o ferro fundido fissura ao soldar?

Pelo carbono — 2 a 4 % contra menos de 0,25 num aço soldável. Ao arrefecer depressa forma-se cementite branca e vidrada na zona afectada pelo calor, e essa parte-se com a tensão de contracção.

A frio ou com pré-aquecimento?

A frio com eléctrodos de níquel, cordões curtos e martelagem, para reparações que têm de aguentar. Com pré-aquecimento a 400 a 600 °C e arrefecimento lento, quando a zona tiver de ser maquinada depois — e para isso é preciso um forno.

Porquê martelar?

Porque deformar o cordão ainda quente alivia a tensão de contracção antes que ela rasgue a faixa frágil ao lado. Logo a seguir a cada cordão curto, com um cinzel rombo ou um martelo de agulhas.

Autor: soldador Actualizado: