O revestimento dos eléctrodos

O revestimento decide mais sobre o cordão do que a máquina. Quatro tipos, quatro processos diferentes no mesmo alicate.

Polaridade directa e inversa lado a lado: os sinais no eléctrodo e na peça, a repartição do calor e a penetração que daí resulta
A mesma corrente e outro cordão: a polaridade decide quem recebe dois terços do calor — a peça ou o eléctrodo.

O que o revestimento faz

Quatro coisas ao mesmo tempo. Decompõe-se em gás e afasta o ar do banho. Forma a escória, que cobre o metal a solidificar e o deixa arrefecer mais devagar. Estabiliza o arco electricamente — é por isso que uns tipos trabalham em corrente alterna e outros não. E liberta elementos de liga que a alma nem sequer tem.

Rutilo (R, RC, RR)

Dióxido de titânio como base. Escorva e reacende com facilidade, arco calmo, gotas finas, escória que salta bem e cordão liso. O hidrogénio anda pelos 15 a 30 ml/100 g e a resiliência é média. Para tudo o que não tem exigências especiais, é a escolha certa.

Básico (B)

Carbonato de cálcio e fluorite. Hidrogénio abaixo de 5 ml/100 g depois de estufado, resiliência até −40 °C e abaixo, boa dessulfuração do metal depositado. Em troca, um arco curto e impaciente, uma escória mais agarrada e a sensibilidade à humidade que obriga à estufa. É o eléctrodo para juntas que suportam carga, grandes espessuras e frio.

Decomposição de uma designação de eléctrodo segundo a EN ISO 2560-A nos seus campos: tipo, resistência, resiliência, revestimento, rendimento e posições, hidrogénio
Seis campos, dos quais dois decidem quase tudo na prática: a letra do revestimento e o sufixo H. O resto costuma ser igual em toda a prateleira.

Celulósico (C)

Componentes orgânicos que no arco se decompõem em hidrogénio e monóxido de carbono. O arco fica agressivo e escavador, o que é exactamente o que a raiz descendente em tubagens precisa. Não estufar: aqui a humidade faz parte do funcionamento.

Ácido (A) e misturas

Base de óxido de ferro, alta taxa de deposição, banho fluido — hoje raro e encontrado sobretudo como mistura RB, que junta a facilidade de escorvamento dos rutilos a parte das propriedades dos básicos. O que cada marca faz está no catálogo de eléctrodos.

Perguntas frequentes

Por onde começa um principiante?

Pelo rutilo. Escorva à primeira, perdoa um arco comprido, trabalha em alterna e em contínua e a escória salta quase sozinha. Começar pelo básico ensina maus hábitos, porque a luta para manter o arco aceso tapa tudo o resto que está a correr mal.

Porque é que o básico é melhor, se é mais difícil?

Pelo hidrogénio e pela tenacidade. Um revestimento básico traz menos de 5 ml/100 g em vez de 15 a 30, e o seu metal depositado mantém a resiliência até −40 °C. As duas coisas contam precisamente onde a junta importa.

Para que servem os celulósicos?

Para o passe de raiz descendente em tubagens. O revestimento cria um arco agressivo e penetrante que atravessa a folga com segurança. Em troca, salpicam muito e trazem muito hidrogénio — nada indicado para peças espessas que suportam carga.

Autor: soldador Actualizado: