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Níveis de qualidade B, C e D segundo a ISO 5817

A mesma imperfeição pode ser admissível e inadmissível ao mesmo tempo — depende do nível de qualidade escrito na documentação. Em baixo, a tabela completa dos limites para os três níveis e de onde vem o nível.

Resposta curta

A ISO 5817 divide as exigências em três níveis:

  • B — rigoroso. Os limites mais apertados, habitual em estruturas responsáveis e sob carga variável.
  • C — intermédio. O mais frequente em estruturas correntes de edifícios.
  • D — moderado. Elementos pouco solicitados.

O nível não é uma nota para o soldador nem uma medida do seu cuidado: é um critério de aceitação. Quem o escolhe é a documentação, não quem olha para o cordão.

Valores admissíveis

O valor admissível é normalmente o menor de dois: o resultado da fórmula e o tecto indicado ao lado. t é a espessura do material e b a largura do cordão ou da face.

N.ºImperfeiçãoB — rigorosoC — intermédioD — moderado
100Fissuranão se admitenão se admitenão se admite
401Falta de fusãonão se admitenão se admitenão se admite
402Falta de penetração na raiznão se admitenão se admite0,2·t máx 2 mm
2011, 2017Poro isolado0,2·t máx 2 mm0,25·t máx 3 mm0,3·t máx 4 mm
5011, 5012Mordedura contínua0,05·t máx 0,5 mm0,1·t máx 0,5 mm0,2·t máx 1 mm
502Sobre-espessura excessiva (soldadura topo a topo)1 + 0,1·b máx 5 mm1 + 0,15·b máx 7 mm1 + 0,25·b máx 10 mm
503Convexidade excessiva (soldadura de ângulo)1 + 0,1·b máx 3 mm1 + 0,15·b máx 4 mm1 + 0,25·b máx 5 mm
504Penetração excessiva1 + 0,2·b máx 3 mm1 + 0,6·b máx 4 mm1 + 1·b máx 5 mm
507Desalinhamento linear0,1·t máx 3 mm0,15·t máx 4 mm0,25·t máx 5 mm
511Chanfro incompletamente preenchidonão se admite0,1·t máx 1 mm0,25·t máx 2 mm
515Concavidade da raiz0,05·t máx 0,5 mm0,1·t máx 1 mm0,2·t máx 2 mm
É uma selecção das entradas mais frequentes

A norma descreve várias dezenas de tipos de imperfeição e distingue ainda gamas de espessura e casos particulares. Na tabela estão as que chegam de facto aos relatórios. Para uma espessura e uma largura concretas, a calculadora de imperfeições admissíveis dá o valor, com os mesmos números que aqui. O texto completo dos requisitos, com notas e excepções, permanece sempre na norma.

O que nenhum nível admite

Três linhas acima trazem «não se admite» nas três colunas, e não é rigor por rigor:

A fissura (100) e a falta de fusão (401) são defeitos planares. O seu perigo não vem do tamanho mas da forma: funcionam como um entalhe, concentram a tensão e crescem sob carga variável. Um poro do mesmo comprimento é incomparavelmente menos perigoso, porque tem bordos arredondados e distribui a tensão em vez de a juntar.

A falta de penetração (402) só se admite no nível D e apenas como imperfeição curta. Em B e C não aparece de todo — pela mesma razão.

Consequência prática: o tamanho de um defeito planar não é argumento na conversa com o inspector. «Mal se vê» não muda a classificação.

De onde vem o nível na documentação

Em estruturas de aço sob a EN 1090-2 o nível decorre directamente da classe de execução:

Classe de execução EN 1090-2Nível de qualidadeUtilização típica
EXC1DEstruturas pouco solicitadas, edifícios agrícolas e auxiliares
EXC2CEstruturas correntes de edifícios — de longe o caso mais comum
EXC3BObras com risco para pessoas: recintos públicos, pontes
EXC4B+Estruturas críticas com consequências graves em caso de rotura

B+ na EXC4 não é um quarto nível da norma, mas o nível B com requisitos adicionais que a EN 1090-2 acrescenta à ISO 5817 para parte das imperfeições. Fora da construção, o nível é dado pela norma de produto: em equipamentos sob pressão, reservatórios e tubagens fá-lo a norma correspondente dessa família ou a especificação do cliente.

Como usar isto na recepção

A ordem é sempre a mesma. Primeiro lê-se o nível de qualidade na documentação. Depois a imperfeição recebe um número segundo a ISO 6520-1 — sem número não há do que falar, porque «uma espécie de concavidade» não é uma entrada em tabela nenhuma. Só com o número e o nível se consulta o limite e se mede o defeito.

Os números das imperfeições — a tabela ISO 6520-1. Como são os defeitos e de onde vêm — o catálogo de defeitos de soldadura. Em que difere o nível do domínio de uma qualificação de procedimento — WPQR.

Perguntas frequentes

Quem escolhe o nível de qualidade?

Nem o inspector nem o soldador: a documentação. O nível vem do projecto, da norma de produto ou do contrato; em estrutura metálica decorre directamente da classe de execução EXC da EN 1090-2. Se nos papéis não aparecer, é uma falha a levantar antes de soldar, não algo a adivinhar depois.

Que mordedura passa no nível C em chapa de 10 mm?

Até 0,5 mm. A fórmula dá 0,1·t, ou seja 1 mm, mas aplica-se ainda o tecto de 0,5 mm — toma-se o menor dos dois. No nível B seria 0,05·t = 0,5 mm com o mesmo tecto; no nível D, 0,2·t = 2 mm, mas não mais de 1 mm.

A ISO 5817 aplica-se ao alumínio?

Não. A ISO 5817 abrange ligações soldadas por fusão em aço, níquel, titânio e suas ligas, a partir de 0,5 mm de espessura. Para o alumínio e as suas ligas o papel equivalente cabe à ISO 10042, com níveis e valores próprios.

Autor: SpawBaza Actualizado: