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Inox para cozinha e unidade alimentar

Mesas, lava-loiças, exaustores, estantes e carros para produção alimentar. Este trabalho distingue-se de qualquer outro da oficina por uma coisa: quem o aceita não é o olho do cliente mas o dedo do inspetor — e o que ele vê não é o que aparece numa fotografia.

Por onde começa a conversa: pela liga

Para produção alimentar usa-se AISI 304 — não é precaução mas condição de aceitação. O 201 parece igual e custa menos, mas com humidade constante sai em manchas de ferrugem logo no primeiro ano e tem de ser substituído por inteiro. O 316, com molibdénio, é preciso onde há sal e cloro: peixe, salga, piscina, orla marítima.

De que é feita a mesa de trabalho

De cima para baixo: tampo em chapa de 1,2–1,5 mm sobre estrutura, espelho atrás para a água não passar para trás da mesa, cuba soldada com raio nos cantos, estrutura em tubo 40×40 e pés reguláveis. A prateleira inferior não é obrigatória, mas é pedida quase sempre.

Mesa de trabalho em inox em projeção oblíqua: tampo com espelho atrás, cuba soldada em corte com raio no canto e ralo, torneira, estrutura em tubo, pés reguláveis e prateleira inferior, com cotas e sete chamadas
A cuba está desenhada em corte: nada do que decide — o raio do canto, o cordão à face, a folga sob o pé — aparece numa fotografia.

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O pormenor decisivo da mesa não é o tampo mas o modo como está feito o lava-loiça. Uma cuba soldada dá superfície contínua sem junta em redor: limpa-se de uma passagem. Uma cuba encastrada com aba poupa uma hora de trabalho e cria um encontro onde se acumula tudo o que alguma vez se cortou nessa mesa.

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O que se faz em inox

Seis artigos em aço inoxidável: mesa de trabalho, mesa com lava-loiça, estante, hotte de extração, prateleira de parede e carro
Seis artigos em inox. A cuba é soldada ao tampo em vez de encaixada: um cordão limpa-se melhor do que uma junta.

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Mesa, mesa com cuba, estante, exaustor, prateleira suspensa e carro — é este o sortido com que se monta qualquer unidade. A diferença entre oficinas não está nesta lista, mas na forma como têm feitos os cantos, os cordões e os pés.

Seis pontos pelos quais o trabalho é aceite

A aceitação numa unidade alimentar não vai pelo desenho mas por uma regra: tudo tem de limpar-se numa só passagem. Daí as exigências — nenhuma junta, nenhum canto interior vivo, nenhuma escória junto ao cordão e uma folga sob a peça para se poder lavar o chão por baixo.

Seis pormenores em inox, em corte: cuba soldada, cuba encastrada com junta em redor, raio no canto, cordão rebarbado e decapado, pé regulável com folga ao chão e junção de tampos soldada contra tapa-juntas
A laranja está marcado o que o inspetor verifica com o dedo e não com o olho. Cinco dos seis não aparecem em fotografia nenhuma.

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Sobre o tom de calor vale um parágrafo à parte, porque passa por cosmética. Ao soldar inox o crómio junto ao cordão queima-se e vai para a escória; a película azul e dourada já é metal sem protecção. Tira-se com escova de arame inox e pasta de decapagem — senão, ao fim de um ano a ferrugem corre exactamente ao longo do cordão.

De que se faz e porquê

O equipamento em inox para cozinhas e indústria alimentar é leve do ponto de vista estrutural — a carga são panelas, caixas e massa —, por isso o perfil escolhe-se pela rigidez e pela higiene, não pela resistência. O peso calcula-se como para o aço carbono: o inox pesa só cerca de 1 % mais (coeficiente 1,01 da tabela de densidades).

  • Pernas — tubo 40×40×2, 2,31 kg/m em aço carbono; fechado, sem abas onde se junte sujidade.
  • Quadro sob o tampo e a prateleira — 40×20×2, 1,68 kg/m, com o lado maior na vertical para o tampo de 1,2–1,5 mm não ceder com o peso.
  • Tampo — chapa de 1,5 mm, 11,8 kg/m², com espelho quinado; prateleira inferior de 1 mm, 7,9 kg/m².
  • Hotte — chapa de 1 mm sobre quadro de cantoneira; o peso é pequeno, importam as caleiras estanques para a condensação e os filtros amovíveis.

A quinagem substitui a soldadura sempre que possível: o espelho do tampo, os cantos da prateleira e a saia da hotte fazem-se na quinadora, porque cada cordão é um ponto a rebarbar e decapar. Os pesos de chapa estão na calculadora de chapa.

Soldaduras: TIG, protecção de raiz e ferramenta limpa

  • TIG com a adição certa — 308L para 304, 316L para 316; a adição de baixo carbono não perde resistência na zona aquecida.
  • Protecção de raiz — tubos e perfis fechados são varridos com árgon por dentro, senão a raiz oxida e começa a corroer por dentro.
  • Chapa fina de 1–1,5 mm — cordões curtos, barra de cobre por trás para tirar calor, pingos frequentes; o tampo ondula depressa com calor a mais.
  • Ferramenta exclusiva — discos, escovas, limas e bancada só para inox. As partículas de aço carbono incrustadas enferrujam em poucas semanas.

Depois de soldar, a carepa remove-se por decapagem e a superfície passiva-se para se refazer a camada de óxido de crómio. A técnica está em TIG e em soldadura de aço inoxidável.

Ordem de fabrico

  1. Levantamento do espaço — paredes, pontos de água e esgoto, folga debaixo dos equipamentos, acesso.
  2. Desenho e planificações — tampo com espelho, cuba, prateleiras; qualidade do aço e acabamento da superfície escritos no desenho.
  3. Corte e quinagem — laser e quinadora, com a película protectora posta.
  4. Soldadura do quadro — TIG com protecção de raiz, em bancada plana.
  5. Tampo e cuba — cuba soldada, cordão rebarbado à face.
  6. Decapagem e passivação — pasta ou banho, depois lavagem com água limpa.
  7. Montagem — pés reguláveis, nível, vedação à parede, película retirada no fim.

Quando o inox afinal enferruja

O inox não resiste a tudo: protege-o uma camada fina de óxido de crómio que pode ser destruída. Os pontos de ferrugem vêm de partículas de aço carbono, colorações de soldadura, cloro nos produtos de limpeza e frinchas com água. Daí as regras de utilização: limpar com produtos para inox, nada de palha-de-aço, enxaguar os produtos com cloro e não deixar sal no tampo de um dia para o outro. Onde cloro e sal estão sempre presentes — transformação de pescado, salga — escolhe-se logo 316.

Erros típicos

  • Disco usado antes em aço carbono — pontos de ferrugem em todo o tampo ao fim de um mês.
  • Tubo soldado sem protecção de raiz — raiz preta por dentro e corrosão na perna da mesa.
  • Tampo soldado com cordões compridos — ondas que já não se endireitam.
  • Decapar sem lavar — os restos de pasta deixam manchas.
  • Palha-de-aço na limpeza — o mesmo efeito do disco contaminado.

Como calcular o material: mesa de trabalho de 150×70 cm

Mesa de 1500×700×850 mm com prateleira inferior: quatro pernas em tubo 40×40×2, quadro sob o tampo e quadro da prateleira em 40×20×2 (4 m cada), tampo em chapa de 1,5 mm com espelho (planificação de cerca de 1,36 m²) e prateleira em chapa de 1 mm (0,84 m²). Os pesos da tabela são para aço carbono; o inox pesa cerca de 1 % mais.

ElementoPerfilComprimento, mQt.kg/mkg
Perna40×40×20,8542,317,9
Quadro sob o tampo40×20×24,0011,686,7
Quadro da prateleira40×20×24,0011,686,7
Total21,3
Com margem 5 %22

Os perfis somam 22 kg com margem, o tampo cerca de 16 kg e a prateleira cerca de 7 kg — menos de 50 kg no total, duas pessoas levam a mesa. O caro numa mesa destas não é o aço, são as horas de soldadura, rebarbagem e decapagem. Várias mesas de uma vez calcula a calculadora da lista de materiais, e as chapas dos tampos a calculadora de chapa.

O que vem a seguir

Os reservatórios, a tubagem e a ventilação da unidade estão em reservatórios e tubagem. A soldabilidade do próprio inox, o material de adição e a protecção da raiz estão em soldadura do aço inoxidável. Preço e prazos, em como encomendar.

Perguntas frequentes

Que inox se usa para cozinha?

AISI 304. O 201 custa cerca de um terço menos, mas tem menos níquel e com humidade constante sai em manchas de ferrugem logo no primeiro ano. Para produção alimentar isso é questão de aceitação, não de estética.

Em que difere o 316 do 304 e quando é preciso?

No molibdénio. Aguenta cloretos, por isso o 316 vai onde há sal e detergentes com cloro: peixe, salga, piscina, orla marítima. Numa cozinha comum não verá diferença, e custa cerca de uma vez e meia mais — levá-lo «por precaução» não faz sentido.

Para que rebarbar e decapar o cordão, se ele aguenta na mesma?

Porque aguenta ele e enferruja o que está ao lado. Ao soldar inox o crómio junto ao cordão queima-se e vai para a escória; o tom azul e dourado já é metal sem protecção. Tira-se com escova de arame inox e pasta de decapagem — senão, ao fim de um ano a ferrugem corre ao longo do cordão.

Porque custa a cuba soldada mais do que a encastrada?

Uma hora a hora e meia de trabalho: há que ajustar a cuba, pingar, soldar e rebarbar o cordão à face. Em troca fica uma superfície contínua sem junta em redor. A cuba encastrada com aba poupa essa hora e cria um encontro que na aceitação é a primeira coisa que se verifica com o dedo.

Com que material de adição se solda uma mesa em inox 304?

TIG com vareta 308L (designação 19 9 L segundo a NP EN ISO 14343), e o 316 com 316L (19 12 3 L). O L significa baixo carbono: o cordão não perde resistência à corrosão na zona afectada pelo calor. Tubos e perfis fechados soldam-se com protecção de raiz com árgon por dentro.

Porque é que o inox enferruja?

Na maior parte das vezes por contaminação com aço carbono: um disco, uma escova ou uma bancada onde antes se cortou aço normal deixam partículas de ferro que enferrujam à superfície. A segunda causa são as colorações da soldadura, a terceira o cloro dos produtos de limpeza e as frinchas onde fica água. Por isso o inox tem ferramenta própria.

Autor: , soldador e serralheiro civil Actualizado:

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