Portões e portinholas

O portão é a única peça do pátio que se mexe todos os dias. Por isso o erro custa mais caro aqui: o tipo errado não se muda sem mexer nos prumos, e um motor curto de força vai-se no primeiro inverno.

Um portão de correr em corte

A folha de um portão de correr não rola pelo chão. Fica pendurada em dois carros de roletes fixos a uma fundação ao lado do vão e passa além dele com uma cauda em consola que serve de contrapeso. Na entrada não há calha, portanto não há nada que se entupa com neve e gravilha, nem soleira que raspe num carro baixo.

Portão de correr visto de lado: folha com cauda em consola, viga de rolamento com cremalheira, dois carros de roletes sobre a fundação, motor, prumo de receção com apanhadores e cotas do vão e do recuo
O portão de correr por inteiro. O recuo de cerca de 40 % do vão é o que mais se esquece ao planear o terreno.

Daí vêm todas as limitações deste tipo. Precisa de recuo livre para um lado; precisa de fundação sob os carros — um quadro comum e não dois blocos soltos, ou os carros desalinham; e precisa de um prumo de receção com apanhadores que receba a folha fechada e alivie os roletes.

Seis tipos de portão

Seis painéis com portões: batente de duas folhas, correr autoportante, seccionado, de enrolar, portinhola e portão com motor
Seis tipos. A escolha segue o espaço no pátio e por cima do vão, não o preço.
  • De batente — os mais baratos, mas a folha fica com metro e meio de pátio e no inverno encosta à neve.
  • De correr autoportantes — o pátio fica livre e a neve não estorva, mas exigem recuo e fundação.
  • Seccionados — para garagem; pedem altura livre por cima do vão para o pacote de painéis.
  • De enrolar — o mínimo de espaço, mas o vão tem de ser leve: não serve para uma entrada de viaturas.
  • Portinhola — à parte ou embutida na folha; a segunda sai mais barata mas deixa uma soleira no caminho.

Prumos e fundações

O prumo de um portão trabalha à tração e à flexão, não à compressão. Uma folha cheia de 4×2 m são oito metros quadrados de vela, e uma rajada mete um momento sério no topo do prumo. Daí a profundidade de 1,2–1,5 m e a exigência de descer abaixo da geada: caso contrário o prumo sobe durante o inverno e a folha deixa de fechar.

Seis variantes de prumo e fundação para portão: tubo betonado, estaca roscada, chapa de base com chumbadouros, pilar de tijolo com chapa embebida, quadro para carros de roletes e prumo com manga para cabo
Seis tipos de prumo. A manga para o cabo entra antes da betonagem: depois já não há como pô-la.

Um pilar de tijolo leva um tubo por dentro na mesma, e as dobradiças soldam-se a chapas embebidas, não à alvenaria. Se o portão vai ser automático, o cabo do motor fica passado na manga desde o início: abrir o pátio depois custa mais do que o próprio motor.

Com que se reveste a folha

Seis enchimentos da folha do portão: chapa perfilada, réguas, painel sandwich, grade com ferro forjado, lâminas e tábuas de madeira
Seis enchimentos. Quanto mais cega a folha, maior a carga de vento — e mais forte tem de ser o motor.

O enchimento escolhe-se a condizer com a vedação: portão e vedação vêem-se juntos e a diferença salta logo à vista. Mas tem também um lado técnico: peso e área ao vento. A chapa cheia e o painel sandwich são os que mais exigem do motor e dos prumos; as réguas e a grade deixam passar o ar e pesam menos.

Com que se abre o portão

Seis motores: linear numa folha de batente, de braço articulado, enterrado, de correr com cremalheira, veio do portão de enrolar e fecho manual
Seis motores. O linear não cabe num prumo largo: aí trabalha o braço articulado.

Três coisas decidem o motor: o tipo de portão, a largura do prumo e se há eletricidade no terreno. Folhas de batente em prumo normal levam motor linear; um prumo largo ou de tijolo pede braço articulado; uma solução totalmente escondida significa motor enterrado, mais caro e metido em água. Os de correr precisam de motor com cremalheira ao longo de toda a viga.

O fecho manual mantém-se mesmo com automatismo: ferrolho, fechadura e batente no chão são o que resta quando falta a luz e enquanto se está fora.

O que vem a seguir

O portão é quase sempre encomendado com a vedação: mesmo enchimento e mesmo acabamento, ou as cores separam-se ao fim de um ano. Prazos, acabamento e buchas estão em como encomendar.

Perguntas frequentes

Quanto espaço precisa um portão de correr?

A largura do vão mais cerca de um terço: é o recuo da folha para o lado. Num vão de 4 m são precisos uns 5,5 m de vedação livre para um dos lados. Se esse espaço não existe, restam os de batente e, num pátio apertado, os seccionados ou de enrolar.

Porque é o portão de correr mais caro que o de batente?

Porque tem o que o de batente não tem: uma viga de rolamento a todo o comprimento da folha com folga, dois carros de roletes com fundação e um prumo de receção com apanhadores. Em troca não ocupa pátio e no inverno não é preciso desenterrá-lo.

Que motor escolher?

O motor dimensiona-se pelo peso e pelo comprimento da folha, não pelo preço. Um fraco não anda apenas mais devagar: morre numa época, porque cada ciclo vai no limite. Num prumo largo ou de tijolo não entra motor linear: aí é braço articulado ou motor enterrado.

A que profundidade vão os prumos?

1,2–1,5 m, abaixo do nível de geada. O prumo de um portão não aguenta o peso da folha mas o safanão: o vento contra um revestimento cheio e o empurrão de abrir. É por isso que desce mais do que um prumo de vedação da mesma altura.

Autor: soldador Actualizado: