O que se solda para o pátio e o jardim

Metade das encomendas da oficina não são estruturas, mas coisas que ficam no pátio: gazebo, estufa, banco, baloiço, lenheiro. Carga quase não levam, mas ficam ao relento o ano inteiro — e nelas não decide o cálculo, decide a secção, a ligação e o revestimento.

O gazebo: em que difere de um alpendre

Por fora não se vê diferença: os mesmos quatro prumos e a mesma cobertura. A diferença está em baixo. O alpendre não tem piso nem guarda, e ninguém o empurra, por isso a rigidez do aro superior chega. O gazebo tem corrimão onde as pessoas se encostam e piso por onde se anda com a loiça na mão — logo os prumos têm de ficar travados também em baixo.

Gazebo em projeção oblíqua: quatro prumos, aro superior com esquadros, cobertura de quatro águas com varas, guarda à cintura entre os prumos da frente, aro inferior com soalho e placas de chumbadouro, com cotas e sete chamadas
O aro inferior é justamente o pormenor por causa do qual um gazebo fica cerca de um terço mais caro do que um alpendre da mesma área.

As placas de chumbadouro entram na laje antes da betonagem, não depois: a bucha em betão já curado trabalha pior e custa mais, e numa camada fina ainda lasca a aresta. Se ainda não há laje, o gazebo assenta em estacas de rosca e o piso vai sobre barrotes — isso desmonta-se e muda-se de sítio, o que uma laje não permite.

Que tipos existem

Seis tipos de gazebo lado a lado: aberto de quatro águas, hexagonal, encostado à casa, com zona de grelhador e chaminé, fechado e envidraçado e uma estrutura leve desmontável para toldo
Um gazebo hexagonal da mesma área é mais caro do que um quadrado não pelo material, mas pela mão de obra: tem o dobro dos cortes em esquadria.

Aberto, de quatro águas, é o mais encomendado: mesa para seis a oito, corrente de ar por todos os lados, telhado contra a chuva. O encostado à casa é mais barato exactamente porque a parede substitui dois dos quatro prumos, mas não se põe onde a parede é cega e não tem lancil de remate.

O gazebo fechado e envidraçado já não é gazebo, é uma casinha: precisa de piso a sério e não de soalho sobre barrotes, e não se assenta sem pendente na laje. A estrutura desmontável vive ao contrário — três meses por ano de pé, o resto na garagem; solda-se com tubo fino de 20×20 e aparafusa-se.

Estufas e canteiros

Aqui decide o passo do arco, não a espessura da cobertura. O policarbonato troca-se de sete em sete ou oito anos, o filme de dois em dois, e a estrutura fica. Arco a cada 0,65 m aguenta neve molhada; a cada metro dobra-se no primeiro inverno e leva a cobertura com ele.

Seis estruturas de estufa: de arco para policarbonato, de duas águas com porta, encostada à parede da casa, canteiro baixo com tampa, estrutura leve para filme e uma de inverno com sapata e arco duplo
Seis estruturas. A estufa encostada recebe calor da parede — e toda a água do telhado: sem rufo fica numa poça.

O canteiro não é uma estufa pequena, é outro objecto: não se entra nele, levanta-se a tampa. Por isso não tem porta nem corredor ao meio, e toda a poupança sai do metal, não do tamanho. A estufa de inverno pede sapata, arco duplo e aquecimento ao mesmo tempo — em regra sai mais barato pôr duas comuns.

Bancos, mesas, papeleiras e floreiras

Seis peças de mobiliário de jardim sobre estrutura de aço: banco sem costas, banco com costas, mesa com dois bancos, papeleira, floreira com plantas e um suporte de bicicletas de arcos dobrados
A madeira assenta no aço, não ao contrário. A estrutura guarda a forma vinte anos; a tábua troca-se duas vezes nesse período.

Todo o mobiliário de exterior tem o mesmo erro na versão barata: a tábua é aparafusada à estrutura de cima, de lado a lado. A água fica na cova da cabeça, a madeira apodrece aí primeiro e ao fim de três anos a tábua parte exactamente pela linha das fixações. O correcto é puxar o parafuso por baixo, sob a estrutura.

A floreira e a papeleira distinguem-se do banco por terem sempre água dentro. O fundo não se faz cego, faz-se furado e sobre pés: entre o fundo e o pavimento tem de ficar folga, senão o que enferruja não é a peça, é o sítio por baixo dela.

Miudezas do pátio

São os trabalhos de um dia e, somados, mais de metade das encomendas para um pátio: baloiço, estendal, lenheiro, canil, compostor, abrigo de contentores. Têm uma coisa em comum — ficam ao relento o ano inteiro, por isso pintam-se por inteiro, incluindo as faces interiores e os topos dos tubos.

Seis coisas simples para o pátio: baloiço em apoios em A, estendal sobre dois prumos, lenheiro coberto, canil de rede em aro, compostor de tábuas sobre aro de aço e um abrigo de contentores
Seis coisas. Ao lenheiro importa mais o arejamento do que o telhado: sob um fecho estanque a lenha não seca, ganha bolor.

Os tampões nos topos dos tubos não são enfeite. O tubo aberto apanha água, o inverno rompe-o pela costura, e isso acontece sempre onde não se vê: no topo inferior do prumo, debaixo de terra. O tampão põe-se soldado ou de plástico à pressão, mas põe-se sempre.

A seguir

Se o que faz falta no pátio é abrigo para o carro, isso está em alpendres, com o apoio e a pendente. O grelhador, a mesa de inox e o depósito estão em produtos de oficina. Quanto custa e quanto demora, em como encomendar.

Perguntas frequentes

Em que difere um gazebo de um alpendre?

No piso e no aro inferior. O alpendre segura-se por cima: prumos, asna, cobertura — e chega, porque não há quem o empurre. O gazebo tem guarda onde as pessoas se encostam e piso por onde se anda, por isso os prumos têm de ficar travados também em baixo, numa caixa rígida. Daí vem a diferença de preço, cerca de um terço para a mesma área.

Com que tubo se solda um gazebo?

Prumos de 60×60 ou 80×80 com parede de 2–3 mm, aro 40×40, varas 40×20. Num gazebo de 3×3 é com folga. Mais fino não se usa por causa da soldadura, não da resistência: a parede fina queima nos cantos e o calor tira o conjunto do esquadro.

Uma estufa precisa de fundação?

Uma comum não — bastam chumbadouros no terreno ou estacas de rosca. A sapata é precisa na estufa de inverno, que é aquecida e onde o lintel corta a geada ao talhão. Também é precisa em terreno expansivo, onde a estrutura sem apoio sai do plano em dois invernos e o policarbonato começa a fender nas fixações.

Porque é preciso betonar o baloiço?

Porque a carga não é vertical, é de balanço. Os apoios em A aguentam sozinhos só em estático; ao balançar, a perna da frente tende a sair do chão. Bastam dois blocos de betão de 40 l sob cada par de pernas — sem eles, o baloiço sai do terreno numa época.

Autor: soldador Actualizado: