Secções

Mapa do sítio →

PT

Soldadura ao tecto: como conduzir para o banho não pingar

A posição ao tecto é a mais incómoda de todas: o metal líquido segura-se apenas pela tensão superficial e tudo o que sobra cai sobre o soldador. Toda a técnica se resume a uma coisa — o banho tem de ser pequeno.

Quando é preciso soldar ao tecto

Quando a peça não pode ser virada: tubagens montadas no local, vigas e pilares de uma estrutura, reparações debaixo de uma máquina. Na oficina quase sempre sai mais barato virar a peça do que soldar por cima da cabeça — em obra não há essa hipótese.

Como conduzir

Usa corrente cerca de 20 % abaixo da posição ao baixo (a calculadora multiplica a gama por 0,8) e um eléctrodo mais fino, normalmente de 2,5 ou 3,2 mm. O arco tem de ser muito curto: arco longo é banho a pingar. Faz cordões estreitos, a direito ou com pequena oscilação, sem parar a meio. O eléctrodo fica quase perpendicular à chapa, com ligeira inclinação para trás.

Parâmetros indicativos, corrente 20 % abaixo da posição ao baixo

Espessura, mm Diâmetro do eléctrodo, mm Corrente, A
1–21,630–50
1,5–32,040–65
2–42,555–80
3–53,065–105
3–63,270–110
6–124,0105–150
Publicidade

Técnica de soldadura ao tecto passo a passo

Postura e apoio do braço

Coloca-te ligeiramente ao lado da junta, não por baixo: a cabeça tem de ficar fora da vertical por onde caem gotas, salpicos e escória. Um cordão que corre ao longo do corpo faz-se a afastar ou a aproximar de ti, com a cabeça meio passo para o lado.

Apoia o braço do porta-eléctrodo: o cotovelo contra o flanco, o antebraço no andaime, a outra mão numa parte fixa da estrutura. Um braço esticado para cima sem apoio começa depressa a tremer, e ao tecto cada tremor alonga o arco. Passa o cabo por cima do ombro ou prende-o à estrutura, para que o peso não puxe o porta-eléctrodo para baixo.

Ângulos do eléctrodo: de avanço e de trabalho

Ângulo de trabalho (na secção da junta): numa junta topo a topo PE o eléctrodo fica perpendicular à chapa, a 90°, para que o arco funda os dois bordos por igual. Num cordão de ângulo PD fica na bissectriz, cerca de 45° em relação às duas abas.

Ângulo de avanço: o eléctrodo inclina-se 10–15° em relação à perpendicular no sentido de avanço, tal como nas outras posições. Com mais inclinação o arco fica mais longo, mesmo com a ponta junto à chapa, e o banho começa a descair.

Arco curto e corrente: exemplo com eléctrodo de 3,2 mm

O comprimento de arco na calculadora é de 0,8 a 1,0 vezes o diâmetro do eléctrodo; com 3,2 mm, 2,6–3,2 mm. Ao tecto trabalha-se no limite inferior: a ponta quase toca no banho e o arco soa a um crepitar baixo e regular.

A corrente calcula-se a partir da gama ao baixo. Para 3,2 mm a tabela de corrente dá 90–140 A, centro 115 A. O factor da posição ao tecto é 0,8: arredondando a 5 A ficam 70–110 A, centro 90 A. Um eléctrodo básico leva ainda ×1,05, ou seja, 75–120 A, centro 95 A. A tabela desta página é calculada com o mesmo factor, por isso a sua linha de 3,2 mm mostra os mesmos 70–110 A. Começa-se pelo centro e corrige-se olhando para o banho.

A calculadora de corrente por eléctrodo faz a mesma conta: escolhe a posição ao tecto e o tipo de revestimento, e a gama é recalculada.

Velocidade e oscilação

A velocidade ajusta-se ao banho, não ao relógio: o banho deve manter a mesma largura e agarrar-se aos dois bordos. Devagar demais, o metal junta-se numa gota e descai; depressa demais, o cordão fica estreito, alto e com mordeduras dos lados.

Seis trajectórias da ponta do eléctrodo na junta: cordão a direito, ziguezague, meia-lua, triângulo, espinha e vaivém para a frente e para trás; os pontos marcam as pausas
Movimentos do eléctrodo. Ao tecto servem o cordão a direito, o ziguezague estreito e o vaivém; pausas só nos bordos.

Descarregar o esquema: SVG · PNG

Dos seis movimentos do esquema, ao tecto servem três: o cordão a direito para a raiz e chapa fina, um ziguezague estreito para o enchimento e o vaivém quando o banho começa a sobreaquecer — o eléctrodo sai por um instante à frente, o metal solidifica e ele volta. A pausa faz-se nos bordos, nunca no meio: uma fracção de segundo em cada extremo, para o bordo encher e não ficar mordedura.

Soldadura ao tecto em vários passes com cordões estreitos

  1. Raiz: eléctrodo de 2,5 ou 3,2 mm, parte baixa da gama, cordão a direito ou ziguezague pequeno. O arco entra na abertura de modo que a penetração se veja no reverso, que ao tecto é o lado de cima.
  2. Enchimento: cordões lado a lado, cada um a sobrepor o anterior cerca de um terço, como na posição horizontal. O primeiro encostado a um bordo e o seguinte apoiado nele.
  3. Acabamento: vários cordões estreitos em vez de um largo; o último junto ao bordo com uma pausa curta, para não deixar mordedura.
À esquerda, secção de uma junta topo a topo ao tecto: eléctrodo por baixo a 90° da chapa, cordões por ordem — raiz 1, dois de enchimento 2 e 3, três estreitos de acabamento 4–6. À direita, vista ao longo do cordão: eléctrodo inclinado 10–15° em relação à perpendicular no sentido do avanço, arco curto de 2,6–3,2 mm com eléctrodo de 3,2 mm
Tecto PE: eléctrodo a 90° na secção e 10–15° ao longo, arco curto, raiz, enchimento e acabamento em cordões estreitos

Descarregar o esquema: SVG · PNG

Com que soldar

Os eléctrodos básicos são os que melhor aguentam ao tecto: a escória solidifica depressa e apoia o banho. Os rutílicos espalham-se e pingam. No MIG/MAG o tecto faz-se em arco curto ou pulsado, com pouca ponta livre de fio e mistura rica em árgon — o CO₂ puro dá gotas demasiado grandes.

Que eléctrodo usar ao tecto

O básico (B; E7018 na designação AWS) é a primeira escolha para juntas resistentes ao tecto: a escória compacta solidifica depressa e apoia o banho, e o metal depositado tem pouco hidrogénio (H5–H10). Precisa de corrente contínua com o eléctrodo no positivo (DC+) e revestimento seco: antes de usar, seca-se a 300–350 °C durante 2 h.

O rutílico (R; E6013) escorva com mais facilidade e trabalha em corrente alterna e contínua, mas a escória é mais fluida e o banho escorre. Ao tecto serve em diâmetros finos, em chapa fina e em juntas não críticas.

MIG/MAG ao tecto

Com semiautomática, o tecto faz-se em arco curto (curto-circuito): 16–22 V, o arco apaga-se e reacende-se 50–200 vezes por segundo, o banho é frio e pequeno. Da tabela de parâmetros MIG/MAG sai um limite prático: para chapa de 3 mm, fio de 0,8–1,0 mm a 110–150 A e 19–21 V ficam dentro do arco curto; o ajuste para 5–6 mm (22–25 V) já fica fora. Por isso a chapa grossa ao tecto enche-se com fio fino (0,8–1,0 mm) e parâmetros da linha mais baixa, mas em mais passes. Mais sobre os modos de transferência no guia de soldadura MIG/MAG.

Segurança na posição ao tecto

As faíscas e as gotas caem directamente no soldador, por isso o casaco aperta-se até ao pescoço, as mangas montam sobre as luvas e as pernas das calças sobre as botas. Ao capacete junta-se uma esclavina para a nuca. É a única posição em que os salpicos entram pelo colarinho e pela manga: é daí que vêm as queimaduras.

O que vestir para soldar ao tecto

Um casaco de algodão não chega ao tecto: é preciso casaco de couro, ou pelo menos mangas e peitilho de couro, capuz ou esclavina que entre por baixo da máscara sobre o pescoço e os ombros, luvas de canhão comprido e gorro por baixo da máscara. Bolsos do peito fechados: uma gota que cai fica num bolso aberto. Calças sem bainha dobrada para fora. Tapa os ouvidos com tampões ou com o capuz: ao tecto os salpicos também lá chegam. Mais sobre materiais na página de vestuário de soldador.

Defeitos típicos

Excesso de reforço e sobreposição — o banho estava grande demais. Poros — a protecção foi soprada ou o eléctrodo estava húmido, e ao tecto isso vê-se logo. Falta de penetração na raiz, quando o soldador baixa demasiado a corrente com medo de pingar.

Defeitos pelo aspecto do cordão e o que corrigir

  • Descaimento, «pingentes». Gotas solidificadas penduradas debaixo do cordão, a face abaulada para baixo. O banho estava grande demais: baixa 5–10 A, encurta o arco, avança mais depressa ou passa ao vaivém.
  • Mordedura. Um sulco por encher ao longo do bordo; ao tecto, muitas vezes dos dois lados. Causas: corrente alta, arco longo, falta de pausa nos bordos, avanço rápido demais. Baixa 10–20 A, mantém o arco curto e pára uma fracção de segundo em cada extremo da oscilação.
  • Falta de penetração na raiz. No reverso vêem-se bordos por fundir ou a abertura à vista; na fractura do provete, uma faixa por fundir. Costuma ser corrente baixada «com medo de pingar» ou um eléctrodo grosso demais para a abertura. Volta ao centro da gama, usa 2,5 mm na raiz e leva o arco mais fundo na abertura.
  • Inclusões de escória. Na fractura ou depois de rebarbar, pontos e linhas escuras e vítreas, normalmente nos bordos entre cordões. Causas: escória mal limpa, cordão anterior muito abaulado, arco frio ou longo que deixa a escória correr à frente do banho. Solução: limpeza a fundo, rebarbar as bossas e um pouco mais de corrente dentro da gama.

Exercícios: do ângulo ao tecto à junta topo a topo

  1. Enchimento ao tecto. Uma chapa de 6–8 mm pingada por cima da cabeça, eléctrodo de 3,2 mm. Cordões a direito lado a lado, cada um a sobrepor um terço do anterior. Objectivo: a mesma largura ao longo de todo o eléctrodo e nem uma gota na face.
  2. Junta em T ao tecto, PD. Duas chapas pingadas em T, a aba horizontal por cima da cabeça. Primeiro um cordão, depois três (raiz e dois de enchimento). A técnica e os ângulos desta junta estão no guia de soldadura de ângulo ao tecto PD. Prova: parte o provete com um martelo; na raiz não pode haver faixa por fundir nem escória.
  3. Topo a topo PE em chapas. Duas chapas com preparação em V, com cobre-junta ou com abertura, pingadas na horizontal por cima da cabeça. Raiz com 2,5 mm, enchimento e acabamento com 3,2 mm em cordões estreitos. Avaliação: penetração uniforme em cima em todo o comprimento, face sem mordeduras nem pingentes; melhor ainda, ensaio de fractura ou de dobragem em tiras cortadas na transversal do cordão.

Designação e qualificação

A posição ao tecto é PE segundo a EN ISO 6947 (em ângulo, PD) e 4G ou 4F no sistema americano. Uma qualificação obtida em PE cobre as posições mais fáceis, e por isso o exame ao tecto vale mais do que o feito ao baixo.

Perguntas frequentes

Que corrente para soldar ao tecto?

Cerca de 20 % abaixo da posição ao baixo: a calculadora multiplica a gama por 0,8. Para um eléctrodo de 3,2 mm dá 70–110 A — a mesma linha da tabela desta página. Corrente a menos também prejudica: aparece falta de penetração na raiz.

Com que eléctrodos se solda ao tecto?

Melhor com básicos: a escória solidifica depressa e apoia o banho. Os rutílicos espalham-se e pingam, por isso ao tecto só servem os finos e em material fino.

A qualificação ao tecto cobre outras posições?

Em grande parte sim: PE é uma posição difícil e, segundo a EN ISO 9606-1, cobre as mais fáceis. O domínio exacto calcula-se com os dados do exame, porque depende também do tipo de junta e da espessura.

O que é a soldadura ao tecto?

Soldar com a junta acima do soldador e o eléctrodo a apontar para cima: PE para a junta de topo e PD para o ângulo segundo a EN ISO 6947, 4G e 4F no sistema americano. O banho é sustentado só pela tensão superficial, por isso a corrente fica cerca de 20 % abaixo da posição plana, com arco curto e cordões estreitos.

Que diâmetro de eléctrodo para soldar ao tecto?

2,5 mm para a raiz e chapa até cerca de 3 mm; 3,2 mm para enchimento e acabamento. A tabela só admite 4,0 mm a partir de chapa de 6 mm, e com mais de 4 mm praticamente não se solda ao tecto: o banho fica pesado demais.

Porque se formam pingentes ao soldar ao tecto?

O banho está grande e quente demais: o metal não solidifica antes de se juntar numa gota. Baixa 5–10 A, encurta o arco, avança mais depressa e mais estreito e, se o banho sobreaquecer, leva o eléctrodo por um instante à frente dele.

Autor: , soldador e serralheiro civil Actualizado:

Publicidade