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O que significam 111, 135 e 141: códigos de processo da ISO 4063

111, 135, 141 — o número do processo substitui o nome onde o documento tem de ser lido independentemente da língua: na WPS, no certificado do soldador, no WPQR e no desenho. Em baixo, a tabela completa com designações e abreviaturas internacionais.

Resposta curta

Os números que mais aparecem:

Como o número é construído

A numeração é hierárquica e lê-se da esquerda. O primeiro algarismo dá o grupo: 1 arco, 2 resistência, 3 gás, 4 pressão, 5 feixe, 7 outros processos, 8 corte e goivagem, 9 brasagem e soldadura branda. O segundo estreita o grupo e o terceiro nomeia o processo concreto.

No caso de 135: 1 soldadura por arco, 13 soldadura por arco com eléctrodo consumível sob gás, 135 com fio maciço em gás activo. É também por isso que surgem números de dois algarismos: 13 num WPQR significa que a qualificação abrangeu todo o subgrupo e não apenas uma variante.

Árvore dos números ISO 4063: o 135 decomposto, subgrupos 11–14 da soldadura por arco com os números 111–141 e grupos 2–9
O primeiro dígito é o grupo, os dois primeiros o subgrupo e os três o processo; o 135 está no subgrupo 13

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111, 131, 135, 136, 138, 141, 311: o que significa cada número

Estes sete números são a maior parte do que aparece nos certificados de soldador e nas especificações WPS. Em cada bloco: que processo é, onde se usa e o que o número limita no papel. A regra por trás de todos é a mesma: um número cobre o seu próprio processo e nada mais.

111 — soldadura por arco com eléctrodo revestido (MMA, SMAW)

A soldadura «a eléctrodo» de sempre. O arco salta entre a alma do eléctrodo e a peça, e o revestimento transforma-se em gás e escória que protegem o banho. Sem garrafa nem alimentador de fio, por isso o 111 é o processo da montagem em obra, das reparações e do trabalho com vento. Paga-se no ritmo: cada eléctrodo significa parar, picar a escória e voltar a escorvar, e cada reinício é um ponto onde pode nascer um defeito. No código do certificado, 111 cobre só o eléctrodo revestido; o fio autoprotegido é o 114. Parâmetros e escolha de eléctrodos: soldadura a eléctrodo.

131 — soldadura MIG com fio maciço

A mesma tocha e o mesmo alimentador que em MAG, mas o gás é inerte — árgon, hélio ou uma mistura — e não entra nas reacções do banho. É disso que precisam o alumínio, o cobre e as suas ligas: um gás activo oxidava-os. O aço não ligado solda-se com o 135, e é precisamente o gás que separa os dois números. À máquina chama-se «MIG» seja qual for o gás que passa por ela; os papéis não são tão tolerantes, e um exame 131 em alumínio nada diz sobre o 135 em aço. Particularidades do alumínio: soldadura de alumínio.

135 — soldadura MAG com fio maciço

O cavalo de batalha da construção metálica: fio maciço com gás activo — árgon com CO₂ (grupo M21 da ISO 14175) ou CO₂ puro. O fio avança sem parar, a junta solda-se sem pausas para trocar de eléctrodo e, em vez de escória, ficam só salpicos e uma película vítrea fina. Nos certificados dos soldadores de estruturas, o 135 é o processo mais frequente; na WPS aparece junto com a designação do fio segundo a EN ISO 14341 e o grupo do gás. Parâmetros por espessura: soldadura MIG/MAG.

136 — soldadura MAG com fio fluxado

O fio é um tubo cheio de fluxo. Com os mesmos ajustes funde mais depressa que o maciço, porque a corrente passa só pela bainha fina, e a escória segura o banho por baixo e pelos lados — por isso o 136 solda em posição com intensidades a que o fio maciço escorreria da junta. Os custos são concretos: escória a retirar entre passes (se fica, torna-se inclusão), várias vezes mais fumo, fio mais caro. Para a qualificação do soldador, o 136 é um processo à parte. Mais em soldadura com fio fluxado 136 e 138.

138 — soldadura MAG com fio de núcleo metálico

Também é um fio tubular, mas cheio de pó metálico em vez de fluxo. Quase não deixa escória, a superfície sai limpa e o rendimento em cordões longos é alto. Dá menos forma ao cordão do que o 136, por isso perdoa menos em posição, e é mais exigente com o gás. No código do certificado, o campo do material de adição leva M — fio de núcleo metálico — onde o fio maciço levaria S. Para o soldador, a EN ISO 9606-1 trata os dois como vizinhos: um exame em 135 cobre o 138, e um exame em 138 cobre o 135.

141 — soldadura TIG com material de adição maciço

O arco sai de um eléctrodo de tungsténio não consumível em gás inerte, normalmente árgon puro, e a vareta adiciona-se à mão. O mais lento dos sete e o mais limpo: sem salpicos, sem escória, com o banho sob controlo total. Daí o seu lugar: raízes em tubo, inox, chapa fina, alumínio. O aço solda-se em corrente contínua com o eléctrodo no negativo; o alumínio, em alternada, pelo efeito de limpeza da camada de óxido. O TIG sem adição é outro número, o 142. Parâmetros e escolha do tungsténio: soldadura TIG.

311 — soldadura oxiacetilénica

Aqui não há arco: o calor vem da chama de oxigénio e acetileno, e a vareta entra no banho à mão. O processo resiste onde aquece com mais suavidade do que um arco — chapa de 0,5 a 3 mm, tubagem de pequeno diâmetro, reparações — e onde não há electricidade. Para o aço, a chama regula-se neutra. O oxipropano é o 312 e o oxi-hidrogénio o 313; a brasagem forte por fusão com o mesmo maçarico é o 971, outro processo porque o metal de base não funde. Regulação da chama e diâmetro da vareta: soldadura oxiacetilénica.

135, 136 e 138: qual é a diferença

Os três são MAG e na oficina saem muitas vezes da mesma máquina. O que os separa é o fio e, com ele, a escória e a papelada:

N.ºFioGásEscóriaUtilização típica
135MaciçoActivoNãoConstrução metálica, a referência
136Tubular, núcleo de fluxoActivoSim, retirada entre passesSecções grossas, soldadura em posição
138Tubular, núcleo metálicoActivoVestígiosCordões longos com face limpa
114Tubular, autoprotegidoNenhumSimObra com vento, sem garrafa

131, 132 e 133 são o mesmo trio com gás inerte: MIG com fio maciço, fluxado e de núcleo metálico. Para os documentos resultam duas coisas. Uma WPS escrita para o 135 não passa a valer para o 136 por a máquina ser a mesma: o processo é uma variável essencial. E um soldador certificado em 135 que passa para fio fluxado precisa de certificado em 136 (o 138 já fica coberto pelo 135); o que um certificado cobre calcula-o a calculadora do domínio de validade.

Os três números lado a lado, na oficina e nos documentos: diferenças entre 135, 136 e 138.

A tabela

1 — Soldadura por arco

N.ºDesignação do processoAbreviatura
11Soldadura por arco com eléctrodo consumível sem protecção gasosa—
111Soldadura manual por arco com eléctrodo revestidoMMA · SMAW
112Soldadura por gravidade com eléctrodo revestido—
114Soldadura com fio fluxado autoprotegidoFCAW-S
12Soldadura por arco submerso—
121Soldadura por arco submerso com fio maciçoSAW
122Soldadura por arco submerso com eléctrodo em fitaSAW
125Soldadura por arco submerso com fio fluxadoSAW
13Soldadura por arco com eléctrodo consumível sob protecção gasosa—
131Soldadura MIG com fio maciço em gás inerteMIG · GMAW
132Soldadura MIG com fio fluxadoFCAW
133Soldadura MIG com fio de enchimento metálicoMCAW
135Soldadura MAG com fio maciço em gás activoMAG · GMAW
136Soldadura MAG com fio fluxadoFCAW
138Soldadura MAG com fio de enchimento metálicoMCAW
14Soldadura por arco com eléctrodo de tungsténio sob gás—
141Soldadura TIG com vareta maciçaTIG · GTAW
142Soldadura TIG sem material de adiçãoTIG
143Soldadura TIG com vareta fluxadaTIG
15Soldadura por plasma—
151Soldadura plasma-MIG—
152Enchimento por plasma com pó—
153Soldadura por plasma com arco transferidoPAW
185Soldadura com arco deslocado magneticamenteMIAB

2 — Soldadura por resistência

N.ºDesignação do processoAbreviatura
21Soldadura por resistência por pontosRSW
22Soldadura por resistência contínua (roletes)RSEW
23Soldadura por saliênciasRPW
24Soldadura por faiscamentoFW
25Soldadura topo a topo por resistênciaRBW
291Soldadura por resistência de alta frequênciaHFRW

3 — Soldadura a gás

N.ºDesignação do processoAbreviatura
31Soldadura oxi-combustível—
311Soldadura oxiacetilénicaOAW
312Soldadura oxipropano—
313Soldadura oxi-hidrogénio—

4 — Soldadura por pressão

N.ºDesignação do processoAbreviatura
41Soldadura por ultra-sonsUSW
42Soldadura por fricçãoFRW
421Soldadura por fricção rotativaRFW
422Soldadura por fricção linear com agitação (FSW)FSW
441Soldadura por explosãoEXW
45Soldadura por difusãoDFW
48Soldadura a frio por pressãoCW

5 — Soldadura por feixe

N.ºDesignação do processoAbreviatura
51Soldadura por feixe de electrões—
511Soldadura por feixe de electrões em vácuoEBW
512Soldadura por feixe de electrões em atmosferaEBW
52Soldadura por laser—
521Soldadura com laser de estado sólidoLBW
522Soldadura com laser de gásLBW
523Soldadura com laser de díodosLBW

7 — Outros processos de soldadura

N.ºDesignação do processoAbreviatura
71Soldadura aluminotérmicaTW
72Soldadura por electroescóriaESW
73Soldadura electrogásEGW
74Soldadura por induçãoIW
78Soldadura de pernosSW
783Soldadura de pernos por arco com anel cerâmicoSW
784Soldadura de pernos por arco, ciclo curtoSW
785Soldadura de pernos por descarga de condensadoresCD

8 — Corte e goivagem

N.ºDesignação do processoAbreviatura
81Oxicorte—
82Corte por arco—
821Corte por arco-ar—
822Corte por arco-oxigénio—
83Corte por plasmaPAC
84Corte por laserLBC
86Goivagem com chama—
87Goivagem por arco—
88Goivagem por plasma—

9 — Brasagem, soldadura branda e brasagem por arco

N.ºDesignação do processoAbreviatura
91BrasagemB
912Brasagem por chama—
916Brasagem por indução—
94Soldadura brandaS
97Brasagem de união (soldobrasagem)BW
971Soldobrasagem a gás—
972Soldobrasagem por arco—
É uma selecção, não a norma inteira

A ISO 4063 tem cerca de duzentas posições, algumas das quais se vêem uma vez na vida profissional. A tabela reúne os processos que aparecem na oficina e nos documentos. Se surgir nos papéis um número fora desta lista, o significado continua a ler-se da estrutura: o primeiro algarismo dá sempre o grupo.

Onde este número aparece

Na especificação do procedimento. Uma WPS conforme EN ISO 15609-1 começa pelo número do processo. É uma variável essencial, pelo que mudar de processo invalida a especificação e obriga a nova qualificação do procedimento.

No certificado do soldador. No código de qualificação conforme EN ISO 9606-1 o número do processo vem logo depois da norma. Uma qualificação com 141 não cobre 135 — dois processos, dois exames, por muito bem que o soldador domine ambos.

No WPQR e na encomenda de trabalhos de soldadura, onde o número é o único registo que ninguém pode interpretar à sua maneira: «semiautomática» quer dizer coisas diferentes em cada oficina, enquanto 135 quer dizer o mesmo em toda a parte.

O que está por trás destes números na prática é tratado à parte: MMA, MIG/MAG e TIG. Como se lê o código completo da qualificação — no artigo sobre o exame conforme EN ISO 9606.

Como ler «ISO 4063-141» e o número nos documentos

«ISO 4063-141», «NP EN ISO 4063: 141» e um simples «141» significam o mesmo: o processo 141 da lista da ISO 4063. O número aparece em quatro sítios. Nas primeiras linhas de uma WPS e de um WPQR, como processo especificado ou qualificado. No código do certificado do soldador, logo a seguir a «EN ISO 9606-1». Na cauda do símbolo de soldadura do desenho segundo a ISO 2553 — como se lê o símbolo explica-o como ler os símbolos de soldadura. E nos planos de inspecção e ensaio, onde liga cada junta ao seu procedimento.

Quando uma junta é feita com dois processos — raiz TIG e enchimento a eléctrodo, por exemplo —, cada processo tem o seu número, e cada um tem de estar coberto tanto pelo procedimento como pelo certificado de quem solda essa parte da junta.

Os quatro sítios do número de processo 141 segundo a ISO 4063: primeiras linhas da WPS e do WPQR, certificado do soldador EN ISO 9606-1 141 P BW FM1 S t8 PF ss nb, cauda do símbolo de soldadura no desenho segundo a ISO 2553 e plano de inspecção, onde a junta feita com dois processos aparece como 141 + 111
O mesmo número liga quatro documentos: a WPS, o certificado do soldador, o desenho e o plano de inspecção. Um algarismo diferente é outro processo.

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Erros comuns com os números de processo

  • Fio fluxado com papéis do 135. O fluxado é o 136. Trocar a bobina de maciço por fluxado sem mudar a WPS e o certificado deixa a junta fora de ambos.
  • «MIG» para tudo. Máquinas e anúncios dizem MIG, mas o aço com mistura de árgon e CO₂ é MAG, 135. O 131 é gás inerte.
  • Um número de dois algarismos lido como processo. «13» num documento é todo o subgrupo da soldadura por arco com gás e eléctrodo consumível, não mais uma variante ao lado do 135.
  • 311 para qualquer chama. O oxipropano é o 312 e a brasagem forte por fusão o 971: o maçarico é o mesmo, o processo no papel não, porque na brasagem os bordos não fundem.
  • 114 confundido com 111 ou 136. O fio autoprotegido não tem revestimento nem garrafa: tem número e exame próprios.
  • 142 escrito como 141. O TIG sem adição — fusão de bordos em chapa fina — é o 142, um número próprio. Qual dos dois se aplicou vê-se logo: ou entrou vareta no banho ou não entrou.

Perguntas frequentes

O que significa 111 no certificado do soldador?

Soldadura manual por arco com eléctrodo revestido, ou seja MMA. O número surge no código da qualificação logo a seguir à referência da norma e indica com que processo foi feito o exame — e portanto com que processo o soldador está qualificado.

Qual é a diferença entre 135, 136 e 138?

Os três são MAG; muda o fio. 135 é fio maciço, 136 fio fluxado (deixa escória) e 138 fio de núcleo metálico (praticamente sem escória). Na documentação são três processos distintos; no certificado do soldador segundo a EN ISO 9606-1, o 135 e o 138 cobrem-se um ao outro, e o 136 só se cobre a si próprio.

Os números são iguais em todos os países?

Sim, é esse o propósito da ISO 4063. 141 significa TIG com vareta maciça numa WPS portuguesa, numa alemã ou numa polaca por igual, ainda que a designação do processo soe diferente em cada língua. Por isso a documentação de soldadura leva o número e não o nome.

O que é a soldadura 311?

Soldadura oxiacetilénica: o calor vem de uma chama de oxigénio e acetileno, não de um arco, e a vareta de adição é introduzida à mão. Continua a usar-se em chapa fina, tubo de pequeno diâmetro e reparações onde não há corrente. A soldadura oxipropano tem outro número, 312, e a brasagem forte por fusão com o mesmo maçarico é o 971.

Qual é a diferença entre 131 e 135?

O gás. Ambos usam fio maciço e o mesmo tipo de tocha, mas o 131 (MIG) trabalha com gás inerte — árgon, hélio ou a sua mistura — e é o processo para alumínio e cobre, enquanto o 135 (MAG) trabalha com gás activo, como árgon com CO₂, e é o processo para o aço. No certificado são dois processos distintos.

Com um certificado em 135 posso soldar com fio fluxado?

Com fio fluxado (136), não: é outro número e outro exame. O fio de núcleo metálico (138) é diferente — segundo a EN ISO 9606-1, um exame em 135 cobre-o. A máquina e a tocha podem ser as mesmas, mas no papel o processo é uma variável essencial, e o inspector lê o número, não o equipamento.

Autor: , soldador e serralheiro civil Actualizado:

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